Aposentadoria Compulsória e o Paradoxo Constitucional do Etarismo

Aposentadoria Compulsória e o Paradoxo Constitucional do Etarismo - Direitos Humanos e o Controle de Convencionalidade - De Acordo com a Legislação Brasileira

Iadya Gama Maio

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Detalles

Autor/Autores: Iadya Gama Maio

ISBN v. impressa: 978989931521-1

ISBN v. digital: 978652632593-3

Encuadernación: Tapa blanda

Número de páginas: 206

Publicado el: 23/07/2026

Idioma: Português Brasileiro

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Sinopsis

Em uma sociedade que proclama a igualdade, a dignidade da pessoa humana e a vedação de todas as formas de discriminação como fundamentos da ordem constitucional, seria legítimo afastar compulsoriamente do trabalho alguém que permanece plenamente capaz apenas por que atingiu determinada idade?

É a partir dessa inquietação que se desenvolve a presente obra.

A Constituição brasileira protege a pessoa idosa, valoriza o trabalho e repudia discriminações arbitrárias. Paradoxalmente, é a própria Constituição que determina o desligamento compulsório de milhares de agentes públicos ao completarem 75 anos de idade, independentemente de sua capacidade física, intelectual ou profissional. Nesse aparente paradoxo constitucional, revela-se uma das formas mais silenciosas e naturalizadas de discriminação contemporânea: o etarismo institucionalizado.

Com sólida pesquisa doutrinária e jurisprudencial, o livro analisa a aposentadoria compulsória, o etarismo e a discriminação por idade sob a perspectiva dos direitos humanos. Em diálogo com o constitucionalismo brasileiro e com os sistemas internacionais de proteção da pessoa idosa, a obra examina os limites jurídicos da exclusão fundada exclusivamente no critério etário e desenvolve o controle de convencionalidade como instrumento de enfrentamento do etarismo normativo.

Mais do que uma análise sobre aposentadoria, este livro convida à reflexão sobre os desafios do envelhecimento em sociedades democráticas e sobre a necessidade de superar modelos jurídicos construídos sobre presunções etárias, porque a dignidade humana não se mede pelo tempo vivido, mas pelo valor inerente de cada existência.

Autor/Autores

IADYA GAMA MAIO

Procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte e Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Pós-Doutora em Direitos Humanos, Saúde e Justiça pela Universidade de Coimbra (Portugal), Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), Mestra em Direito Constitucional e Mestra em Gerontologia Social. Sua trajetória acadêmica e profissional é marcada pela atuação na defesa dos direitos da pessoa idosa, da pessoa com deficiência e na promoção dos direitos humanos. Sua produção acadêmica concentra-se nas interfaces entre direitos humanos, envelhecimento, dignidade humana e proteção internacional dos direitos fundamentais, com especial atenção aos direitos da pessoa idosa. É autora de livros e artigos jurídicos publicados no Brasil e no exterior.

Sumario

INTRODUÇÃO, p. 17

Capítulo 1 VELHICE E AUTONOMIA DA VONTADE: DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS, p. 19

1.1 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: DA ABSTRAÇÃO NORMATIVA À CONCRETIZAÇÃO PRÁTICA, p. 19

1.2 A VELHICE COMO DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL E A PROTEÇÃO DA AUTONOMIA, p. 24

1.3 AUTONOMIA DA VONTADE E OS PARADOXOS DA APOSENTADORIA COMPULSÓRIA NO BRASIL, p. 26

1.4 CONTRASTE COM A APOSENTADORIA NO REGIME PRIVADO BRASILEIRO, p. 36

Capítulo 2 DISCRIMINAÇÕES CLÁSSICAS E A PONTE PARA O ETARISMO, p. 45

2.1 RACISMO, GÊNERO E INTERSECCIONALIDADE: BASES DE ANÁLISE, p. 45

2.2 O ETARISMO COMO DISCRIMINAÇÃO ESTRUTURAL E INSTITUCIONAL, p. 50

Capítulo 3 APOSENTADORIA COMPULSÓRIA EM PERSPECTIVA COMPARADA: PORTUGAL, SISTEMAS EUROPEUS E EXPERIÊNCIAS AMERICANAS, p. 65

3.1 A EXPERIÊNCIA PORTUGUESA, p. 66

3.2 SISTEMAS EUROPEUS E INTERSECÇÕES INTERNACIONAIS, p. 71

3.3 CONTEXTO NAS AMÉRICAS: PERSPECTIVAS E DEBATES, p. 85

Capítulo 4 O ESTATUTO DA PESSOA IDOSA E A CONVENÇÃO INTERAMERICANA: AVANÇOS E LIMITES NA PROTEÇÃO CONTRA O ETARISMO, p. 95

4.1 O ESTATUTO DA PESSOA IDOSA E A TUTELA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NO DIREITO BRASILEIRO, p. 97

4.2 A CONVENÇÃO INTERAMERICANA E O PARADOXO BRASILEIRO: DO RECONHECIMENTO DO ETARISMO À INÉRCIA NA RATIFICAÇÃO, p. 101

4.3 A GÊNESE DA CONVENÇÃO E A PRÁXIS INSTITUCIONAL: DO VAZIO NORMATIVO À EXIGIBILIDADE DE DIREITOS, p. 105

Capítulo 5 O CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE E A SUPERAÇÃO DO ETARISMO NORMATIVO, p. 109

5.1 A COMPULSÓRIA COMO PRESUNÇÃO DISCRIMINATÓRIA E SUMÁRIA DE INCAPACIDADE, p. 110

5.2 FUNDAMENTOS DOGMÁTICOS DO CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE: PRINCÍPIOS UNIVERSAIS E PARÂMETROS VINCULANTES, p. 115

5.3 O CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE NA ORDEM JURÍDICA BRASILEIRA: A TESE DA DUPLA COMPATIBILIDADE, DO BLOCO DA TRANSCONVENCIONALIDADE E A ATUAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, p. 123

5.4 O OBSTÁCULO: AUSÊNCIA DE RATIFICAÇÃO DA CIDHPI, p. 139

5.5 FUNDAMENTOS E ESTRATÉGIAS PARA A RESOLUÇÃO DO IMPASSE, p. 146

5.6 O CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE EM PERSPECTIVA COMPARADA, p. 151

5.7 OS CAMINHOS ARTICULADOS PARA A SUPERAÇÃO DO ETARISMO NORMATIVO, p. 166

5.8 CONCLUSÃO: A INCONVENCIONALIDADE MATERIAL E O EFEITO PARALISANTE, p. 168

Capítulo 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS, p. 171

EPÍLOGO, p. 175

REFERÊNCIAS, p. 177

ANEXOS, p. 185

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES, p. 185

LISTA DE JULGADOS CITADOS, p. 187

LISTA DE LEGISLAÇÕES CONSULTADAS, p. 193

LISTA DE TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS OU REGIONAIS, p. 196